02/12/2009

Taubaté

Boa noite meus amigos, antes de mais nada tenho que me desculpar pela ausência (mais uma vez!);
Recebi de minha tia-avó Sônia, já faz algum tempo, algumas fotos antigas da minha cidade, minha terra natal, e decidi postar para que conheçam o cenário principal de grande parte da minha história, assim como de muitos personagens desse baú do passado!
Para quem não conhece, Taubaté se localiza no Vale do Paraíba, interior de São Paulo, e fica a 123km da capital.
Embora minha afeição pelo lugar não seja muito, digamos... considerável, existem alguns pontos da cidade que me lembram certos momentos de minha vida e confesso que fiquei emocionada ao ver as fotos e imaginar que por aquele mesmo chão já passaram tantas histórias, tantos romances, tanto sofrimento...
Não sei todas as datas ao certo, mas acho que isso pouco importa diante da expressividade dessas praças e capelas, que estarão sempre bem guardadas em minha memória.

Catedral

Local onde iniciou-se parte importante de minha história. No ano de 1961 trocavam alianças na Catedral de São Francisco das Chagas meus avós Fausto e Myrian. Muitos anos depois, sua filha (e minha tia) Marianne também entrava vestida de noiva nessa mesma igreja. Do lado direito da foto é onde hoje se encontra o Teatro Metrópole...



Praça Dom Epaminondas

Nessa mesma praça, na foto abaixo, encontra-se a vista lateral esquerda da Catedral



... e abaixo uma foto mais antiga, onde podemos observar a praça ainda mais deserta...



Abaixo a vista lateral direita onde, se acompanharmos a foto em direção das nuvens (sempre reto) teremos hoje o Mercado Municipal...



ps.: Fico devendo uma foto de minha infância nessa praça correndo atrás dos pombos que tenho guardada em algum lugar! hahaha

Estação

A estação, hoje abandonada, lugar em que diversas vezes minha avó e suas irmãs tomaram trens para as tão esperadas férias nas casas de parentes e amigas.
Essa ponte em primeiro plano pertence a uma praça, que hoje foi totalmente restaurada, e é onde se localiza a Biblioteca Municipal e, na minha opinião, exibe todo ano uma das mais belas decorações de natal da cidade!



Praça Sta. Terezinha

Vista aérea da Praça Santa Terezinha, onde minha avó Myrian morou durante grande parte de sua infância e localizava-se um antigo presídio da cidade.



E por fim...

Convento Sta. Clara




Local onde fiz minha primeira comunhão. Do lado esquerdo da foto, muito próximo ao convento, encontra-se a minha casa, casa onde moro com meus avós desde a meus 2 anos de idade em que presenciei a separação de meus pais, e que meus avós construiram a mais de 40 anos atrás. E do lado direito encontra-se o cemitério onde meus bisavós Luiz e Zina estão enterrados.



Bom, é isso amigos-blogueiros! Espero que tenham gostado desse passeio através do tempo e da história, mas não mais que eu, que trago comigo lembranças desses lugares comuns e inesquecíveis que estarão eternizados na doce Taubaté.

04/09/2009

Mais uma geração resgatada!

Clique nos nomes citados para ir para outras postagens.

Lembrei-me somente agora de contar uma novidade importantíssima para mim, talvez não muito para vocês meus amigos, mas enfim... o fato é que meu tio e padrinho Marcos esteve esses últimos meses na Itália e aproveitou parte da viagem para procurar parentes. Foi até Verona, se não me engano, mas precisava de pelo menos o nome de mais uma geração de nossos antepassados para facilitar a busca.

Meus bisavós (pais de minha avó Myrian):
Luiz Guerra Paixão
Zina Sisti Paixão

Meus tataravós (pais de Zina):
Menotti Sisti
Esther Cavallari Sisti

Pensei comigo... Como eu vou arranjar o nome dos pais de meus tataravós? Minha avó não se lembrava dos nomes de nenhum de seus bisavós. Os únicos irmãos de minha bisavó Zina que estavam vivos eram Bárbara e Ottorino (postagem sobre eles) Ok, era a única saída. Pesquisei em listas telefônicas das cidades deles. Liguei para um número que constava como Ottorino Sisti, mas quem atendeu não conhecia ninguém com esse nome. Procurei no google, documentos velhos... revirei minha casa em busca de um número, um endereço, qualquer informação! Foi então que tive a idéia de procurar no Orkut. Perguntei a todos os Sisti que encontrei se conheciam alguma Bárbara e, um deles (por uma graça divina!) me respondeu que era neto dela. Expliquei tudo e disse que precisava me contatar com ela. Finalmente consegui o telefone!
Liguei para lá e ela mesma me atendeu. Deve estar com seus 80 anos, aproximadamente, mas foi muito amável e estava completamente lúcida. Lembrou de minha avó e das minhas tias-avós gêmeas, Martha e Maria. Fui breve, ela podia estar ocupada com algo e eu não queria atrapalhar. Após um tempo lembrou dos nomes de seus quatro avós, tanto paternos quanto maternos, que seguem abaixo:

Pais de Esther:
Felício Cavallari
Bárbara Laurrentti Cavallari

Pais de Menotti:
Cesare Sisti
Esterina Sisti

Mas infelizmente essas informações não bastaram. Não localizamos nenhum parente na Itália, mas consegui resgatar mais uma geração de meus antepassados e passei pela experiência maravilhosa de conversar com alguém que passou a infância ao lado de minha bisavó!

Gostaria de deixar claro que não pesquiso tanto o passado para me conhecer melhor, mas sim porque simplesmente me interesso por esses personagens marcantes e suas histórias de luta e perseverança. Se identificações de características minhas vierem como consequência não vou me importar... apenas quero guardar essas lembranças roubadas! Obrigada Bárbara Sisti pela emoção! a eterna "Tia Babá".

Nota!
Bárbara (que me forneceu tais informações) veio a falecer no final de 2010, pouco depois de meu telefonema.

23/07/2009

Dois casamentos

Olá queridos amigos-blogueiros. Estive um bom tempo ausente por uma série de motivos que pouco importam. Estou de volta pois ainda esta semana minha avó contou um 'causo' para um conhecido nosso, e achei que seria interessante postá-lo.
Bom, como na maioria dos casos, contarei o milagre sem contar o santo hehe.

Convidados Apressados
Tal fato aconteceu em um casamento, aqui na minha cidade (até por isso não citarei nomes).
A cerimônia já havia atrasado algumas 'horinhas'; os convidados estavam impacientes e ao iniciar a benção final, o padre que realizava a missa percebeu que uma grande maioria dos convidados começou a sair apressadamente da Igreja, certamente para 'pegar a melhor mesa na festa' hehe.
Com muita 'presença de espírito' o padre decidiu não finalizar a cerimônia nos moldes tradicionais dizendo apenas "Que Deus vos abençoe", mas sim de maneira original e adequada à situação:
- Bem, diante de tal fato sou obrigado a desejar "Que Deus vos alcance!"

Viúvo-negro
O outro caso que me lembrei ainda há pouco de postar aqui, é uma situação um tanto lamentosa e desagradável. Segundo as histórias de minha bisavó (Zina Sisti), que foram passadas à minha avó Myrian, e agora repassadas a mim; na pequena cidade de interior em que vivia, havia acontecido um casamento em que, durante toda a cerimônia a noiva reclamara de muita dor de cabeça. A família da jovem acabou por não se importar tanto com o problema, já que estavam alegres naquela noite festiva.
Ao chegar em casa a noiva desmaiou misteriosamente. Somente ao desfazer o penteado elaborado e trabalhoso (conforme a moda da época), a mãe da noiva se deu conta que o que havia causado tanta dor na recém-casada era uma aranha que estava escondida no alto penteado. Sabe-se que a moça não conseguiu sobreviver após o veneno ter sido injetado. Mas bem, como toda história antiga contada por nossos avós, chega a ser misteriosa e sinistra.

17/02/2009

Como arranjar um bom marido

Abaixo mais um pequeno 'causo' contado pela minha avó, em que recorda a vergonha pela qual passara na época...
Pois bem, aos seus 12 anos de idade respondeu a uma enquete de um concurso que encontrou em uma revista qualquer (Coisa de pré-adolescente, convenhamos!).
Consistia em formular um texto respondendo a seguinte pergunta: "Como arranjar um bom marido?".

É certo que uma garota de apenas 12 anos não seja entendida do assunto, mas sua ousadia falou mais alto, e a vontade de conseguir o tão cobiçado prêmio de 50 cruzeiros era tanta que arriscou expor seu vago conhecimento enviando a elaborada resposta:

"Minha amiga. Seja sincera, leal, compreensiva e econômica o quanto possível e fique certa de que arranjará um bom marido e será feliz!

Myrian Sisti Paixão
Taubaté - São Paulo"


Me admira o fato de ela saber até hoje as palavras corretas que usou na tal carta, mas quem conhece minha avó pessoalmente acostuma-se com a memória extraordinária que ela tem. Digo isto pois os parentes mais próximos confirmam!

Passaram-se dois anos e minha avó, então aos 14, estava no início de seu namoro com meu avô Fausto. Era tímida e até mesmo um tanto introvertida.

Em um determinado dia, meu avô foi recebido com 'deboches saudáveis' e risos pelos seus colegas de repartição, que afirmavam, com o exemplar da tal revista nas mãos, que ele havia sido literalmente "caçado" para um casamento.

A pobre nem ao menos teve um buraco para enfiar a cara no chão assim que o novo namorado levou a revista até ela!

Hoje, após quase 50 anos de casamento, diante de qualquer gasto elevado (especialidade das mulheres da família), meu avô ainda brinca, dizendo: " Olha Myrian, você havia prometido na carta ser econômica!", e minha avó retribui a brincadeira afirmando "Prometi!... o quanto possível. E claro... diante de um bom marido!"

Ai Senhor! E eu que aguento esses dois!

06/02/2009

Miss Três Corações


Acabei de lembrar um causo que minha avó sempre conta em rodas sociais e confirmei com ela como tudo ocorreu. É curtinho, assim como os atos falhos do cotidiano, portanto, lá vai...
Na pequena cidade de Três Corações, no sul de Minas Gerais (cidade em que minha avó nasceu!), houve um concurso que organizaram para eleger a moça mais bela da cidade, nomeando-a "Miss Três Corações", e aproveitaram para descontrair um pouco a tensão das candidatas elegendo também o homem mais feio da cidade.

Ao acabar o concurso, os vencedores se encontraram e o infeliz rapaz que havia ganhado como o mais feio, em um ato gentil, parabenizou a nova Miss da cidade afirmando algo como: "Parabéns pelo título, você mereceu!", e a pobre moça desavisada devolveu o elogio a sua maneira dizendo: "Obrigada, o senhor também!".
Façamos agora um concurso de Q.I. !

Abaixo a foto da mineira Carole, amiga de minha bisavó Zina, ganhadora do concurso de miss Três Corações e protagonista da história.

03/02/2009

Maria Galinha

Gafe. Palavra conhecida por todos e realizada por muitos. Geralmente quem fala bastante e adora "contar papo" vive caindo no constrangimento. Pobre do meu bisavô, que era uma pessoa extremamente calada e passou por uma situação um tanto quanto desagradável.
Meu bisavô Cyro, pai de meu avô Fausto, era provavelmente, de sua família o mais quieto. Pouco falava, assim como meu avô. Passava horas ouvindo os comentários e observando sem dizer uma palavra.

Em uma tarde, certamente na década de 50, estava reunido um grupo de homens de todas as idades em frente ao barbeiro da cidade... na praça central... ou algo assim. Como de costume, os amigos se reuniam para comentar sobre esportes, política e, principalmente, das moças que por lá passavam desacompanhadas. Minha avó inclusive conta que a rua do barbeiro, onde haviam alguns bares, era um ponto quase proibido para as moças jovens e solteiras; ela morria de medo de passar por lá, já que todos os dias formavam-se grupos masculinos de discussão. Enfim. Estavam os homens falando sobre a reputação de certas moças da cidade e aleatoriamente cada um contava um caso. Surgiu então o assunto de casamento e os homens começaram a radicalizar, afirmando que moças de má reputação não deveriam casar-se, para aprenderem a respeitar a família e a si próprias. Outros diziam que as moças mais "fogosas" também estavam se casando, e havia se tornado algo extremamente comum os rapazes trocarem 'moças de família' pelas conhecidas atualmente como "piriguetes". Conversa vai, conversa vem... meu bisavô decidiu opinar, em um raro momento de participação. Virou-se para os amigos e comentou algo como: "Pois hoje é a coisa mais comum! Até mesmo a 'Maria Galinha' casou! Lembram-se dela?". De imediato um dos homens do grupo levantou-se e respondeu-lhe atravessadamente: "Pois é! Casou-se comigo!".

Enfim meus queridos amigos-blogueiros, seja você quieto ou frenético, queira ou não, é quase impossível escapar dos pequenos detalhes/deslizes que entram para a história e passam de geração em geração.

02/02/2009

O testamento

Bem... contarei agora a história que fiquei devendo na postagem anterior.

Meu trisavô, José Ferreira da Paixão, (juiz de direito - para quem não leu a postagem anterior!) contava que, na época em que as viagens ainda eram feitas a cavalo, as casas ficavam em longas distâncias umas das outras (como se fossem fazendas ou chalés), pouco antes de ir se deitar, quase de madrugada, um homem bateu em sua porta. Sem muitas opções, decidiu abrir.

O homem parecia atormentado e José mal podia vê-lo na escuridão da noite, mesmo porque segurava apenas uma vela em sua mão, e não havia motivo para se aproximarem. Insistiu durante um longo tempo para que o juiz fizesse seu testamento naquela mesma hora, que o viajante havia vindo de longe somente para isso e não poderia voltar outro dia.

José Ferreira tentou explicar que era tarde, pediu que o viajante dormisse aquela noite em um dos chalés que na manhã seguinte, logo cedo, faria seu testamento para que ele pudesse seguir viagem; mas o homem insistiu, queria que fosse naquele mesmo momento e dizia com convicção que não poderia ser mais tarde. Como único juiz da região, teve que resolver o problema do tal viajante misterioso, sozinho.

Fez o tão esperado testamento e o homem finalmente partiu.
Algum tempo depois, ao conversar com alguns colegas, meu trisavô acabou por descobrir que aquele mesmo homem que havia batido em sua porta naquela noite insistindo para que fizesse imediatamente seu testamento, havia morrido dias antes da visita que fizera à sua casa. Relato intrigante, tratando-se da respeitosa seriedade de José Ferreira da Paixão.


José Ferreira da Paixão e Etelvina Alves Guerra

Para que entendam a próxima história é necessário que eu apresente esse meu "trisavô", materno de minha parte, paterno da parte de minha avó, explico...
José Ferreira da Paixão era avô paterno de minha avó (pai de seu pai, Luiz Guerra), e filho de um professor do Colégio D. Pedro I (Se não me engano) em Petrópolis. (Infelizmente não consegui pesquisar tão a fundo a pónto de encontrar seu nome, sei apenas que o pai de José Ferreira era de uma família muito rica e conhecida na cidade.)
Em uma época em que pouquíssimas pessoas completavam o ensino superior, meu trisavô, José Ferreira, concluiu o curso de direito, tornando-se assim juiz de direito, e orgulho de seus pais.
Ao conhecer a mineira Etelvina Alves Guerra, decidiu abandonar a vida que tinha em Petrópolis e mudar-se para Minas Gerais. Estava decidido a passar o resto de sua vida com a amada. E foi exatamente isso que aconteceu. Deixou a família, a fortuna, o reconhecimento, e foi viver em uma cidade pequena no interior de Minas. Seguiu a carreira judiciária exercendo o cargo de juiz de direito em várias cidadezinhas como Grão Mogol, Manhuassu, Diamantina e Três Corações.

Arranjou uma carta de apresentação como juiz para o sul de Minas, assinada pelo próprio jurista e diplomata Ruy Barbosa (que inclusive faleceu na cidade de Petrópolis). Uma cópia da carta estava com minha mãe até tempos atrás, e a original foi levada para a Faculdade de Letras que minha mãe cursava para ser restaurada, mas infelizmente nunca mais a encontramos.

Tiveram quatro filhos (já citados em outras postagens). Meu bisavô Luiz, minha tia-bisavó Maria Luiza, e meus tios-bisavós Mario e José Ferreira da Paixão Filho. (Clique nos links para obter mais informações!).

Apesar do pouco contato afetuoso que minha avó Myrian fora privada de manter com os avós, por viver conforme limitavam os costumes e valores de seu pai, ainda lembra-se perfeitamente da figura de seu avô José Ferreira e de seu gênio sério e imponente. Ao contrário de seu avô italiano Menotti, José Ferreira era sério e introvertido, contava poucas histórias, dentre elas está um dos "causos" mais assustadores de minha família (principalmente pelo fato de ter sido contado por essa figura quieta e objetiva, que jamais inventara qualquer brincadeira durante toda sua vida. Leia a história na próxima postagem!

Etelvina Alves Guerra, a "avó mineira de minha avó Myrian" fora uma mãe muito severa com os filhos, chegando a aplicar surras até mesmo com vara de marmelo, segundo minha bisavó Zina (sua filha). Ao contrário de seu perfil marcado de mãe-exigente, Etelvina tornou-se uma avó calma, tranquila, mansa...
Minha avó Myrian conta que morou durante um tempo com essa avó e que inclusive literalmente nascera na cama de Etelvina! O parto foi realizado ali mesmo!

Como tinha a situação financeira muito melhor do que a avó italiana Esther, Etelvina não se ocupava com os afazeres domésticos, tinha uma empregada que trabalhava até mesmo aos domingos limpando a casa e cozinhando; então ocupava seu tempo fazendo crochês e outros hobbies.
Extremamente religiosa, também fazia parte de uma Congregação de Senhoras Católicas. Ao enviuvar passou a morar na casa de meu bisavô Luiz Guerra Paixão, onde relatava "causos" de sua vida à neta Myrian, assim como a mesma tem feito comigo.
(Foto: José Ferreira da Paixão e Etelvina Alves Guerra.)

27/01/2009

TROFÉU DO AMIGO

Oi blogueiros-amigos, ganhei este selo da blogueira Dany, que por sinal tem dois blogs maravilhosos, vale a pena visitá-los.

Para quem não conhece o simpático selinho, aqui vai uma breve explicação:

Esse é o Troféu do Amigo!!
Esses blogs são extremamente charmosos.
Esses blogueiros têm o objetivo de se achar e serem amigos.
Eles não estão interessados em se auto promover.
Nossa esperança é que quando os laços desse troféu são cortados ainda mais amizades sejam propagadas.
Entregue esse troféu para oito blogueiros(as) que devem escolher oito outros blogueiros(as) e incluir esse texto junto com seu troféu!!

E abaixo seguem meus indicados:

Coisas e Loisas
O Profeta
Brog da Cami
Na Mira do Felipe
Arlequim
sacropantas
Ecos do meu silêncio...
Digressões e procelas

26/01/2009

Marcos Sisti

Três Corações - MG (Cidade em que a família morava na época).

Quisera eu descrever com detalhes inúmeras histórias e causos contados ou vividos por este parente. Infelizmente, Marcos, irmão mais novo de minha avó Myrian, não viveu mais que dois anos.
Minha avó sempre fora muito apegada ao "bebê da família", uma vez que suas irmãs mais velhas (as gêmeas Martha e Maria) tinham afinidades maiores e acabavam sendo mais próximas uma da outra do que de minha avó.

Estávamos esses dias conversando sobre o assunto e decidi escrever sobre o maior trauma, que até hoje atormenta a fonte dos "causos" desse blog. Algo que eu ainda não sabia é que, cerca de uma semana antes da morte do pequeno Marcos, minha avó, que na época tinha apenas 5 anos de idade, havia sonhado com tal acontecimento e acordado chorando. Quando sua mãe a perguntou o que havia acontecido, minha avó se lembra até mesmo das palavras que disse repetidas vezes: "Mãe, eu sonhei que o 'Marquinhos' tinha morrido". Minha bisavó Zina, a fim de acalmar minha avó, levou-a até o berço de seu irmãozinho e mostrou que estava tudo bem (até então).

Cerca de uma semana depois, minha avó lembra-se de, logo pela manhã, sua mãe Zina tê-la avisado que Marcos não estava muito bem naquele dia, havia tido febre alta durante a noite e que permanecera dormindo. Ainda no mesmo dia, minha bisavó perguntou à empregada se ela havia batido ou beliscado o bebê, pois ele estava coberto de manchas roxas, pelo corpo todo; e minha avó ouviu a conversa das duas durante todo tempo.

Minha avó e as gêmeas, passavam o dia na casa de uma vizinha, para que não participassem do clima tenso que pairava sobre a casa. Na época, as gêmeas haviam acabado de completar 6 anos.

Ficou marcado na mente de minha avó (o que chega a assustar, considerando que ela tinha apenas 5 anos naquele dia) o momento em que a empregada de minha bisavó atravessou a rua correndo e, em voz baixa, avisou a vizinha: "Ele morreu!". Minha avó conta ter saido correndo na mesma hora e ter entrado em sua casa gritando.

Marcos foi velado na mesa da cozinha de sua casa, e seu avô mandou colher as melhores orquídeas de seu jardim, que cultivava com muita dedicação, e que não permitia que ninguém, nem mesmo da família, entrasse. Perfumaram seu caixãozinho com o perfume de 'flor de maçã', aroma que até hoje minha avó não pode nem ao menos sentir. E até mesmo o cachorro da família abalou-se com tal acontecimento, ficando o dia inteiro em baixo da mesa em que o caixão de Marcos estava.

As gracinhas e os primeiros passinhos de Marcos não foram esquecidos tão cedo, mesmo porque minha avó relata que as marcas de suas mãozinhas ficaram nas paredes em que ele se apoiava enquanto aprendia a andar, deixando o ambiente ainda mais nostalgico. Pelo que sei, o pequeno parecia ser um bebê alegre e risonho, uma perda horrível para a família.

A causa da doença jamais foi descoberta. Há uma hipótese em que o problema estava na circulação de seu sangue, que fazia o caminho inverso do que deveria, um caso raríssimo, digamos... um em um milhão. Alguns parentes e conhecidos acharam que havia sido envenenamento, mas logo essa hipótese foi descartada pois a morte não ocorreu de imediato, demorou a noite toda para que Marcos começasse a apresentar sintomas de algo mais grave. Outros pensaram que a causa fosse uma explosão que havia ocorrido em um choque entre trens de carga na estação da cidade, em que minha bisavó, grávida, fora jogada longe.

A causa não se sabe; o motivo, não poderemos nunca imaginar. O fato é que, hoje, cerca de 60 anos após o ocorrido, minha avó ainda sente a perda de seu irmão, se emociona ao lembrar e reconhece que, por ter aprendido lidar com a morte tão cedo, sua vida ficara eternamente marcada. Embora não pudesse trazer Marcos de volta, sentiu que o mínimo que poderia fazer era homenageá-lo, dando seu nome a um de seus filhos.

Abaixo uma poesia que meu bisavô Luiz Guerra Paixão (pai de Marcos) fizera em sua homenagem:

A meu filho Marcos (falecido)

Dorme meu filho na Mansão de Deus,
N'um bercinho de rosas celestiais...
Flores que emanam dos carinhos meus,
Das dores e saudades de teus pais...

A Virgem Mãe, que é fonte de ternura,
Embalará teu sono angelical...
Dando-te a conhecer toda doçura,
Que emana do seu seio maternal.

Nas horas de saudades, que hei vivido,
A tua imagem não me sai da mente...
E julgo, comtemplar-te embevecido,

No enleio de um feliz momento,
Em uma estrela nova e reluzent
e,
Engastada ao azul do firmamento.

Luiz Guerra Paixão



















a única foto de Marcos

07/01/2009

Os 9 filhos do casal Sisti

Perguntei essa semana mesmo à minha avó como eram seus tios, que relação ela tinha com eles, enfim, procurei obter novas informações sobre sua família materna. Fiquei curiosa pois há tempos venho observando como as pessoas da minha família (provavelmente assim como as da sua!) são extremamente diferentes fisicamente e psicologicamente. Cada um tem um jeito de pensar, uma maneira de agir, um modo de se arrumar, um jeito próprio de ser, e confesso que muitas vezes já me encantei com esse simples fato, de sermos tão diferentes e vivermos sob o mesmo teto. Imagino que um dia ainda possa contar aos meus netos como eram as personalidades dos Garcez e dos Paixão. Assim como minha avó fez com os Sisti.
Já falei um pouco de meus tataravós Esther e Menotti, agora vou apresentá-los seus filhos, um a um, para que quando eu comece realmente a contar os 'causos' ocorridos, fique mais fácil imaginá-los.


Dario, o mais velho dos irmãos Sisti, segundo as recordações de minha avó, sempre mantivera seu tipo aristocrático. Sua classe e seriedade chamavam atenção. Minha avó não tinha tanta liberdade com ele, apesar de tamanha admiração que sentia. Após casar-se, saiu de Três Corações, interior de Minas Gerais, e foi morar em São Paulo.




Furio, segundo a minha avó, era o filho mais parecido com sua mãe, Zina. Casou-se com Hylmann (fazendeira dona de grandes lotes em Três Corações que, segundo minha avó, era uma mulher de uma bondade extrema, pessoa maravilhosa.) e continuou morando na cidade de Três Corações - MG. Corretíssimo em seus atos, mantinha tudo organizado em sua vida e em sua profissão de bancário. Em uma roda social, costumava ouvir mais do que falar. Posso dizer que da família fora presenteado com maior número de qualidades. "O bom caráter", "O educado", "O trabalhador"; define em poucas palavras minha avó. Teve quatro filhos com Hylmann: Ailton, Lúcia, Eliana e Sother.



César, pelo que imagino, era exatamente o esteriótipo do italiano brincalhão que tem em toda família de imigrantes. "Polarizava as atenções", é assim que minha avó define o tio. Falante, engraçado, espirituoso, acredito que ele tenha sido um dos filhos que tenha rendido mais histórias cômicas a respeito. Não levava a vida extremamente a sério, e não era muito voltado para os problemas que enfrentava. Segundo minha bisavó Zina, sua irmã, era o filho com quem a mãe mais se preocupava, por não se dedicar a manter uma estabilidade financeira. "Falastrão", no sentido menos pejorativo e mais admirável da palavra, reunia grupos em volta dele em todos os eventos sociais. "No casamento da Martha (sobrinha de César) me lembro de um grupo de pessoas estar em volta dele dando gargalhadas", relembra minha avó Myrian. E ainda completa: "Nunca conheci ninguém em minha vida como o tio César", sobre o senso humor contagiante de César.



Ottorino, o filho homem mais novo do casal, tinha uma ligação especial com sua irmã Hilda. Não tão expansivo quanto César, Ottorino sempre fora dono de um gênio agrádavel e engraçado. "Foi um rapaz muito bonito!", conta minha avó, relembrando a beleza memorável dos rapazes da família Sisti. Pelo que consta, enviuvou-se cedo. Por volta de seus 80 anos, reside hoje em Iacanga, no estado de São Paulo.



Déia, a mais velha das irmãs, casou-se com Tito, que era 25 anos mais velho que ela. Apesar de ser uma pessoa muito dinâmica, ativa e organizada, não teve o trabalho de cuidar de mais do que uma criança. O casal teve apenas um filho, Roberto, um dos primos mais próximos e queridos de minha avó.




Bárbara, mais conhecida pelos sobrinhos e sobrinhas como Tia Babá, mantinha-se a maior parte do tempo tranqüila e quieta. Teve três filhos homens e apenas uma menina. Bárbara sempre tivera uma vontade imensa de ter uma filha mulher, ao passar a infância breve de sua primeira filha, essa casou-se ainda muito jovem e Bárbara nunca mais a viu pessoalmente, somente por correspondência. Há um breve relato de que ela teria declarado que "Ter filha mulher é uma grande ilusão". Ao casar-se mudou-se para Cruzeiro, no interior do estado de São Paulo; pouco tempo depois mudou-se para a capital do estado, deixando-a mais tarde para morar em Barra do Piraí, onde viveu até o final de sua longa vida. Batalhadora, passou por dificuldades em uma época de sua vida, pelo fato de seu marido ser chofer de táxi.


Eda, segundo, não só minha avó, mas grande parte da família, era a neta mais parecida com Esther, sendo assim, motivo de orgulho de todos. Viveu com o marido na cidade de São Paulo ao mudar-de de Três Corações, mudando-se depois para Ourinhos, interior de São paulo, e em seguida para Taubaté, localizada no Vale do Paraíba. Por seu gênio forte e o ciúme que sentia do marido, os tios de minha avó diziam que ela era a mais parecida com a mãe também no quesito personalidade.




Hilda, a filha caçula, era apegadíssima ao irmão Ottorino. "Nunca vi um casal de irmãos mais apegado do que a tia Hilda com o tio Ottorino!", conta minha avó. Assim como Eda, possuía um gênio forte e muita personalidade. Casou-se com Wilson e teve três filhas: Nívea, Lúcia e Ângela.
E finalmente...



Zina, minha bisavó que, conforme poderão perceber em diversas histórias, era extremamente calada, séria e até consideravelmente apática. Algo que até hoje ninguém discordou, é que era uma mulher de classe. Uma "lady" propriamente dita. Fisicamente tinha o perfil claro de cabelos bem escuros, alta e magra, conforme o padrão de beleza das italianas, mas tratando de seu perfil psicológico, Zina nem ao menos parecia fazer parte de uma família de italianos festeiros e atrapalhados. Casou-se aos 17 anos de idade com meu bisavô Luiz Guerra Paixão, com quem viveu até o momento de sua morte.


Os nove personagens distintos da família Sisti, que passaram a fazer parte de outras famílias, em breve estarão passeando pelas postagens do Baú da Vovó e repassando suas histórias, até que se eternizem. Peço a ajuda de vocês para que, não só escutem as histórias de minha família, mas também escrevam as suas, para que aos poucos retornemos à simplicidade de outras décadas, e possamos resgatar os sentimentos tão agradáveis de outras épocas que, infelizmente, hoje não existem mais.

03/01/2009

Menotti Sisti e Esther Cavallari

O pouco que sei sobre esses personagens tão marcantes em minha história já foi o bastante para me encantar profundamente. Avós de minha avó Myrian (Podemos então dizer que seria uma história da vovó 'ao quadrado'.) o casal de origem italiana, veio de Verona (Esther) e Ferrara (Menotti) tentar a vida no Brasil.
Conforme relata minha avó, viviam bem e formavam um casal alegre.
"Mamma", como era chamada pelos filhos; "vovó Mamma", como era chamada pelos netos. Esther, jovem de família rica (sobrenome Cavallari) adorava passar o tempo jogando damas, gamão, e outros joguinhos infantis com seus netos; e chegava até mesmo a se irritar quando perdia. Era extremamente ciumenta, apesar de ser belíssima. Já Menotti, que tinha três irmãos, Albertina, Pedro e Ricchotti; se interessava por música, principalmente música popular e clássica. Costumava cantarolar com voz de Tenor músicas italianas. Segundo minha avó, esse seu lado italiano de contar 'causos' fora herdado desse seu avô materno. Pelo seu profundo apreço pela música clássica, Menotti contatou-se com maestros famosos em suas viagens de trem. Uma "peça rara" como define minha avó, contava histórias fabulosas e tinha assunto para tudo!

Conta-se que o casal passou por sérias dificuldades durante o período da Segunda Guerra Mundial, uma vez que, seus serviços de alfaiate passaram a ser supérfluos. Esther ajudava o marido a confeccionar bonés e outras lindas peças. Minha avó Myrian só tinha contato com estes avós durante as férias, quando ia com a mãe e as irmãs visitá-los na Penha, bairro pobre de São Paulo na época.
"Durante a infância, sempre que aconteciam grandes tempestades eu e meu primo Roberto (do Rio de Janeiro, que também ia passar o Natal na casa dos avós) ficávamos nas calçadas das penhas pegando girinos." relata minha avó. "Vovó Mamma matava frango e peru para a ceia em seu próprio quintal." - completa.
Tiveram nove filhos, e pode-se dizer que ambos esperavam que uma de suas filhas nascesse com a beleza européia de Esther. Sua pele clara e os olhos verdes foram devidamente repassados à uma das filhas, Eda.


Assim que começou a namorar meu avô Fausto, minha avó (que tinha por volta de seu quinze anos), passava somente as terças, quintas e sábados em sua companhia, mesmo assim tinha que entrar em casa às dez da noite; por isso conta que diversas vezes se irritara ao perder parte de seu tempo com seu avô Menotti, enquanto ele atraia toda a atenção de seu namorado com suas histórias mirabolantes. Quisera eu tê-los conhecido!



Fim da vida e morte.

Menotti saia todas as tardes para conversar com conhecidos na rua. Com cerca de 90 anos, tomou um prato de sopa, Babá - ou Bárbara- (filha que cuidou dele em seus últimos anos) escutou um grito e correu para o quarto do pai, onde encontrou-o já morto. Morrou lúcido, cheio de vida, muito alegre.

Esther (falecida em 26 de maio de 1961) teve um derrame cerebral, com cerce de 70 anos, na mesma casa em que seu marido morrera. Ficou dois anos em uma cadeira de rodas. Conta-se que ela estava preparando a casa para a visita de minha avó Myrian, qua havia acabado de se casar ( em 20 de maio de 1961). Acordou, foi a uma capela de Nossa Senhora, rezou, voltou para casa e teve uma trombose nas pernas, então veio a falecer.

02/01/2009

Maria Luiza Paixão

Essa é uma das típicas histórias de amor impossível que estamos acostumados a ver nas telas do cinema ou em novelas. Prometo que serei breve.
Maria Luiza era irmã de meu bisavô Luiz, e tinha mais dois irmãos, meus tios-bisavós Mário e José; única filha mulher do casal José Ferreira da Paixão e Etelvina Alves (meus tataravós), e tia de minha avó Myrian (fonte da maioria dos relatos).
Sua história começou no momento em que se apaixonou por um rapaz chamado Roberto. Não se sabe o motivo ao certo, mas as famílias eram contra o namoro.
Imagino que tenham se falado pouco já que, dentro das circunstâncias de tal época, era quase impossível que uma jovem passasse grande parte de seu tempo na companhia de um rapaz, ainda mais se ambas famílias fossem contra o relacionamento. Apesar de tudo, segundo minha avó, conforme contaram a ela, jamais existira um caso de amor tão forte e incondicional dentro de nossa família, algo inexplicável, uma paixão cinematográfica, uma "saudável" obsessão. Um sentimento forte e acolhedor, que alimentava o coração de sua tia, até o momento em que fora cruelmente proibido.
Os dois se apaixonaram perdidamente em questão de semanas, mas Roberto teve que ir para o Rio de Janeiro por um motivo esquecido com o passar do tempo, largado junto às cinzas do infeliz romance. Talvez o motivo de sua ida tenha sido a desaprovação por parte da família de minha tia-bisavó, a pressão contrária era muito grande. Ambos lutaram por esse amor durante um certo tempo, até o momento em que o drama tornara-se algo irracional e decidiram render-se às vontades das famílias.
Luiza passou o resto de sua vida apoiada em lembranças, vivendo seus dias rotineiros, estando sem rumo, engolindo durante o dia-a-dia a amargura do desamor que provara ao ser deixada. Não se tornara uma mulher amarga, muito pelo contrário, continuou sendo doce a amável com as sobrinhas, que eram as parentes mais próximas do sentimento maternal que tentava apagar. Após um longo tempo, Maria Luiza, ainda sem esquecê-lo, ficou sabendo que ele havia se casado, e que sua mulher havia morrido durante o primeiro parto. Logo depois, chegou a notícia de que após a morte de sua mulher, Roberto havia cometido suicídio.
Remoendo-se em seu sofrimento, Luiza decidiu deixar o orgulho de lado e dedicar-se ao que havia restado do maior e único amor que um dia tivera, já sem a intervenção de sua família. Com profunda dedicação e respeito, organizou uma série de missas com cantos gregorianos em sua homenagem, e não mais se apaixonou, nem ao menos se casou. Dedicou-se o resto de sua vida às crianças da família, que por crueldade do destino, não eram seus filhos.

Por volta de seus quarenta anos, em uma noite em que minha avó, ainda criança, passava férias em sua casa, Maria Luiza sofreu um derrame e faleceu. Antes de ser tirada o último vestígio de vitalidade e os últimos sentimentos dóceis de seu coração, ouviu-se um barulho, definido como o 'ronco da morte' por minha avó, que com apenas cinco anos, correu para avisar seus pais. Quando o casal entrou no quarto, já era tarde.
Fora o segundo contato que minha avó, Myrian, tivera com a morte. Algo traumatizante, uma vez que, de todas suas sobrinhas, era certamente a mais apegada com a irmã de seu pai.
Pode-se dizer que o trauma da perda foi superado, mas as lembranças de cada detalhe de sua história foram guardadas até hoje. Tanto que posso escrevê-las, usando-as como fonte.
Talvez Roberto nem soubesse da paixão que continuou sendo cultivada ano após ano por Maria Luiza. Ressalto então a melhor definição poética das histórias de amor, feita por Vinícius de Moraes: "... E todo grande amor só é bem grande se for triste!"

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"Como um brilhante que partindo a luz
Explode em sete cores
Revelando então os sete mil amores
Que eu guardei somente pra te dar Luiza"
Luiza - Tom Jobim.