27/01/2009

TROFÉU DO AMIGO

Oi blogueiros-amigos, ganhei este selo da blogueira Dany, que por sinal tem dois blogs maravilhosos, vale a pena visitá-los.

Para quem não conhece o simpático selinho, aqui vai uma breve explicação:

Esse é o Troféu do Amigo!!
Esses blogs são extremamente charmosos.
Esses blogueiros têm o objetivo de se achar e serem amigos.
Eles não estão interessados em se auto promover.
Nossa esperança é que quando os laços desse troféu são cortados ainda mais amizades sejam propagadas.
Entregue esse troféu para oito blogueiros(as) que devem escolher oito outros blogueiros(as) e incluir esse texto junto com seu troféu!!

E abaixo seguem meus indicados:

Coisas e Loisas
O Profeta
Brog da Cami
Na Mira do Felipe
Arlequim
sacropantas
Ecos do meu silêncio...
Digressões e procelas

26/01/2009

Marcos Sisti

Três Corações - MG (Cidade em que a família morava na época).

Quisera eu descrever com detalhes inúmeras histórias e causos contados ou vividos por este parente. Infelizmente, Marcos, irmão mais novo de minha avó Myrian, não viveu mais que dois anos.
Minha avó sempre fora muito apegada ao "bebê da família", uma vez que suas irmãs mais velhas (as gêmeas Martha e Maria) tinham afinidades maiores e acabavam sendo mais próximas uma da outra do que de minha avó.

Estávamos esses dias conversando sobre o assunto e decidi escrever sobre o maior trauma, que até hoje atormenta a fonte dos "causos" desse blog. Algo que eu ainda não sabia é que, cerca de uma semana antes da morte do pequeno Marcos, minha avó, que na época tinha apenas 5 anos de idade, havia sonhado com tal acontecimento e acordado chorando. Quando sua mãe a perguntou o que havia acontecido, minha avó se lembra até mesmo das palavras que disse repetidas vezes: "Mãe, eu sonhei que o 'Marquinhos' tinha morrido". Minha bisavó Zina, a fim de acalmar minha avó, levou-a até o berço de seu irmãozinho e mostrou que estava tudo bem (até então).

Cerca de uma semana depois, minha avó lembra-se de, logo pela manhã, sua mãe Zina tê-la avisado que Marcos não estava muito bem naquele dia, havia tido febre alta durante a noite e que permanecera dormindo. Ainda no mesmo dia, minha bisavó perguntou à empregada se ela havia batido ou beliscado o bebê, pois ele estava coberto de manchas roxas, pelo corpo todo; e minha avó ouviu a conversa das duas durante todo tempo.

Minha avó e as gêmeas, passavam o dia na casa de uma vizinha, para que não participassem do clima tenso que pairava sobre a casa. Na época, as gêmeas haviam acabado de completar 6 anos.

Ficou marcado na mente de minha avó (o que chega a assustar, considerando que ela tinha apenas 5 anos naquele dia) o momento em que a empregada de minha bisavó atravessou a rua correndo e, em voz baixa, avisou a vizinha: "Ele morreu!". Minha avó conta ter saido correndo na mesma hora e ter entrado em sua casa gritando.

Marcos foi velado na mesa da cozinha de sua casa, e seu avô mandou colher as melhores orquídeas de seu jardim, que cultivava com muita dedicação, e que não permitia que ninguém, nem mesmo da família, entrasse. Perfumaram seu caixãozinho com o perfume de 'flor de maçã', aroma que até hoje minha avó não pode nem ao menos sentir. E até mesmo o cachorro da família abalou-se com tal acontecimento, ficando o dia inteiro em baixo da mesa em que o caixão de Marcos estava.

As gracinhas e os primeiros passinhos de Marcos não foram esquecidos tão cedo, mesmo porque minha avó relata que as marcas de suas mãozinhas ficaram nas paredes em que ele se apoiava enquanto aprendia a andar, deixando o ambiente ainda mais nostalgico. Pelo que sei, o pequeno parecia ser um bebê alegre e risonho, uma perda horrível para a família.

A causa da doença jamais foi descoberta. Há uma hipótese em que o problema estava na circulação de seu sangue, que fazia o caminho inverso do que deveria, um caso raríssimo, digamos... um em um milhão. Alguns parentes e conhecidos acharam que havia sido envenenamento, mas logo essa hipótese foi descartada pois a morte não ocorreu de imediato, demorou a noite toda para que Marcos começasse a apresentar sintomas de algo mais grave. Outros pensaram que a causa fosse uma explosão que havia ocorrido em um choque entre trens de carga na estação da cidade, em que minha bisavó, grávida, fora jogada longe.

A causa não se sabe; o motivo, não poderemos nunca imaginar. O fato é que, hoje, cerca de 60 anos após o ocorrido, minha avó ainda sente a perda de seu irmão, se emociona ao lembrar e reconhece que, por ter aprendido lidar com a morte tão cedo, sua vida ficara eternamente marcada. Embora não pudesse trazer Marcos de volta, sentiu que o mínimo que poderia fazer era homenageá-lo, dando seu nome a um de seus filhos.

Abaixo uma poesia que meu bisavô Luiz Guerra Paixão (pai de Marcos) fizera em sua homenagem:

A meu filho Marcos (falecido)

Dorme meu filho na Mansão de Deus,
N'um bercinho de rosas celestiais...
Flores que emanam dos carinhos meus,
Das dores e saudades de teus pais...

A Virgem Mãe, que é fonte de ternura,
Embalará teu sono angelical...
Dando-te a conhecer toda doçura,
Que emana do seu seio maternal.

Nas horas de saudades, que hei vivido,
A tua imagem não me sai da mente...
E julgo, comtemplar-te embevecido,

No enleio de um feliz momento,
Em uma estrela nova e reluzent
e,
Engastada ao azul do firmamento.

Luiz Guerra Paixão



















a única foto de Marcos

07/01/2009

Os 9 filhos do casal Sisti

Perguntei essa semana mesmo à minha avó como eram seus tios, que relação ela tinha com eles, enfim, procurei obter novas informações sobre sua família materna. Fiquei curiosa pois há tempos venho observando como as pessoas da minha família (provavelmente assim como as da sua!) são extremamente diferentes fisicamente e psicologicamente. Cada um tem um jeito de pensar, uma maneira de agir, um modo de se arrumar, um jeito próprio de ser, e confesso que muitas vezes já me encantei com esse simples fato, de sermos tão diferentes e vivermos sob o mesmo teto. Imagino que um dia ainda possa contar aos meus netos como eram as personalidades dos Garcez e dos Paixão. Assim como minha avó fez com os Sisti.
Já falei um pouco de meus tataravós Esther e Menotti, agora vou apresentá-los seus filhos, um a um, para que quando eu comece realmente a contar os 'causos' ocorridos, fique mais fácil imaginá-los.


Dario, o mais velho dos irmãos Sisti, segundo as recordações de minha avó, sempre mantivera seu tipo aristocrático. Sua classe e seriedade chamavam atenção. Minha avó não tinha tanta liberdade com ele, apesar de tamanha admiração que sentia. Após casar-se, saiu de Três Corações, interior de Minas Gerais, e foi morar em São Paulo.




Furio, segundo a minha avó, era o filho mais parecido com sua mãe, Zina. Casou-se com Hylmann (fazendeira dona de grandes lotes em Três Corações que, segundo minha avó, era uma mulher de uma bondade extrema, pessoa maravilhosa.) e continuou morando na cidade de Três Corações - MG. Corretíssimo em seus atos, mantinha tudo organizado em sua vida e em sua profissão de bancário. Em uma roda social, costumava ouvir mais do que falar. Posso dizer que da família fora presenteado com maior número de qualidades. "O bom caráter", "O educado", "O trabalhador"; define em poucas palavras minha avó. Teve quatro filhos com Hylmann: Ailton, Lúcia, Eliana e Sother.



César, pelo que imagino, era exatamente o esteriótipo do italiano brincalhão que tem em toda família de imigrantes. "Polarizava as atenções", é assim que minha avó define o tio. Falante, engraçado, espirituoso, acredito que ele tenha sido um dos filhos que tenha rendido mais histórias cômicas a respeito. Não levava a vida extremamente a sério, e não era muito voltado para os problemas que enfrentava. Segundo minha bisavó Zina, sua irmã, era o filho com quem a mãe mais se preocupava, por não se dedicar a manter uma estabilidade financeira. "Falastrão", no sentido menos pejorativo e mais admirável da palavra, reunia grupos em volta dele em todos os eventos sociais. "No casamento da Martha (sobrinha de César) me lembro de um grupo de pessoas estar em volta dele dando gargalhadas", relembra minha avó Myrian. E ainda completa: "Nunca conheci ninguém em minha vida como o tio César", sobre o senso humor contagiante de César.



Ottorino, o filho homem mais novo do casal, tinha uma ligação especial com sua irmã Hilda. Não tão expansivo quanto César, Ottorino sempre fora dono de um gênio agrádavel e engraçado. "Foi um rapaz muito bonito!", conta minha avó, relembrando a beleza memorável dos rapazes da família Sisti. Pelo que consta, enviuvou-se cedo. Por volta de seus 80 anos, reside hoje em Iacanga, no estado de São Paulo.



Déia, a mais velha das irmãs, casou-se com Tito, que era 25 anos mais velho que ela. Apesar de ser uma pessoa muito dinâmica, ativa e organizada, não teve o trabalho de cuidar de mais do que uma criança. O casal teve apenas um filho, Roberto, um dos primos mais próximos e queridos de minha avó.




Bárbara, mais conhecida pelos sobrinhos e sobrinhas como Tia Babá, mantinha-se a maior parte do tempo tranqüila e quieta. Teve três filhos homens e apenas uma menina. Bárbara sempre tivera uma vontade imensa de ter uma filha mulher, ao passar a infância breve de sua primeira filha, essa casou-se ainda muito jovem e Bárbara nunca mais a viu pessoalmente, somente por correspondência. Há um breve relato de que ela teria declarado que "Ter filha mulher é uma grande ilusão". Ao casar-se mudou-se para Cruzeiro, no interior do estado de São Paulo; pouco tempo depois mudou-se para a capital do estado, deixando-a mais tarde para morar em Barra do Piraí, onde viveu até o final de sua longa vida. Batalhadora, passou por dificuldades em uma época de sua vida, pelo fato de seu marido ser chofer de táxi.


Eda, segundo, não só minha avó, mas grande parte da família, era a neta mais parecida com Esther, sendo assim, motivo de orgulho de todos. Viveu com o marido na cidade de São Paulo ao mudar-de de Três Corações, mudando-se depois para Ourinhos, interior de São paulo, e em seguida para Taubaté, localizada no Vale do Paraíba. Por seu gênio forte e o ciúme que sentia do marido, os tios de minha avó diziam que ela era a mais parecida com a mãe também no quesito personalidade.




Hilda, a filha caçula, era apegadíssima ao irmão Ottorino. "Nunca vi um casal de irmãos mais apegado do que a tia Hilda com o tio Ottorino!", conta minha avó. Assim como Eda, possuía um gênio forte e muita personalidade. Casou-se com Wilson e teve três filhas: Nívea, Lúcia e Ângela.
E finalmente...



Zina, minha bisavó que, conforme poderão perceber em diversas histórias, era extremamente calada, séria e até consideravelmente apática. Algo que até hoje ninguém discordou, é que era uma mulher de classe. Uma "lady" propriamente dita. Fisicamente tinha o perfil claro de cabelos bem escuros, alta e magra, conforme o padrão de beleza das italianas, mas tratando de seu perfil psicológico, Zina nem ao menos parecia fazer parte de uma família de italianos festeiros e atrapalhados. Casou-se aos 17 anos de idade com meu bisavô Luiz Guerra Paixão, com quem viveu até o momento de sua morte.


Os nove personagens distintos da família Sisti, que passaram a fazer parte de outras famílias, em breve estarão passeando pelas postagens do Baú da Vovó e repassando suas histórias, até que se eternizem. Peço a ajuda de vocês para que, não só escutem as histórias de minha família, mas também escrevam as suas, para que aos poucos retornemos à simplicidade de outras décadas, e possamos resgatar os sentimentos tão agradáveis de outras épocas que, infelizmente, hoje não existem mais.

03/01/2009

Menotti Sisti e Esther Cavallari

O pouco que sei sobre esses personagens tão marcantes em minha história já foi o bastante para me encantar profundamente. Avós de minha avó Myrian (Podemos então dizer que seria uma história da vovó 'ao quadrado'.) o casal de origem italiana, veio de Verona (Esther) e Ferrara (Menotti) tentar a vida no Brasil.
Conforme relata minha avó, viviam bem e formavam um casal alegre.
"Mamma", como era chamada pelos filhos; "vovó Mamma", como era chamada pelos netos. Esther, jovem de família rica (sobrenome Cavallari) adorava passar o tempo jogando damas, gamão, e outros joguinhos infantis com seus netos; e chegava até mesmo a se irritar quando perdia. Era extremamente ciumenta, apesar de ser belíssima. Já Menotti, que tinha três irmãos, Albertina, Pedro e Ricchotti; se interessava por música, principalmente música popular e clássica. Costumava cantarolar com voz de Tenor músicas italianas. Segundo minha avó, esse seu lado italiano de contar 'causos' fora herdado desse seu avô materno. Pelo seu profundo apreço pela música clássica, Menotti contatou-se com maestros famosos em suas viagens de trem. Uma "peça rara" como define minha avó, contava histórias fabulosas e tinha assunto para tudo!

Conta-se que o casal passou por sérias dificuldades durante o período da Segunda Guerra Mundial, uma vez que, seus serviços de alfaiate passaram a ser supérfluos. Esther ajudava o marido a confeccionar bonés e outras lindas peças. Minha avó Myrian só tinha contato com estes avós durante as férias, quando ia com a mãe e as irmãs visitá-los na Penha, bairro pobre de São Paulo na época.
"Durante a infância, sempre que aconteciam grandes tempestades eu e meu primo Roberto (do Rio de Janeiro, que também ia passar o Natal na casa dos avós) ficávamos nas calçadas das penhas pegando girinos." relata minha avó. "Vovó Mamma matava frango e peru para a ceia em seu próprio quintal." - completa.
Tiveram nove filhos, e pode-se dizer que ambos esperavam que uma de suas filhas nascesse com a beleza européia de Esther. Sua pele clara e os olhos verdes foram devidamente repassados à uma das filhas, Eda.


Assim que começou a namorar meu avô Fausto, minha avó (que tinha por volta de seu quinze anos), passava somente as terças, quintas e sábados em sua companhia, mesmo assim tinha que entrar em casa às dez da noite; por isso conta que diversas vezes se irritara ao perder parte de seu tempo com seu avô Menotti, enquanto ele atraia toda a atenção de seu namorado com suas histórias mirabolantes. Quisera eu tê-los conhecido!



Fim da vida e morte.

Menotti saia todas as tardes para conversar com conhecidos na rua. Com cerca de 90 anos, tomou um prato de sopa, Babá - ou Bárbara- (filha que cuidou dele em seus últimos anos) escutou um grito e correu para o quarto do pai, onde encontrou-o já morto. Morrou lúcido, cheio de vida, muito alegre.

Esther (falecida em 26 de maio de 1961) teve um derrame cerebral, com cerce de 70 anos, na mesma casa em que seu marido morrera. Ficou dois anos em uma cadeira de rodas. Conta-se que ela estava preparando a casa para a visita de minha avó Myrian, qua havia acabado de se casar ( em 20 de maio de 1961). Acordou, foi a uma capela de Nossa Senhora, rezou, voltou para casa e teve uma trombose nas pernas, então veio a falecer.

02/01/2009

Maria Luiza Paixão

Essa é uma das típicas histórias de amor impossível que estamos acostumados a ver nas telas do cinema ou em novelas. Prometo que serei breve.
Maria Luiza era irmã de meu bisavô Luiz, e tinha mais dois irmãos, meus tios-bisavós Mário e José; única filha mulher do casal José Ferreira da Paixão e Etelvina Alves (meus tataravós), e tia de minha avó Myrian (fonte da maioria dos relatos).
Sua história começou no momento em que se apaixonou por um rapaz chamado Roberto. Não se sabe o motivo ao certo, mas as famílias eram contra o namoro.
Imagino que tenham se falado pouco já que, dentro das circunstâncias de tal época, era quase impossível que uma jovem passasse grande parte de seu tempo na companhia de um rapaz, ainda mais se ambas famílias fossem contra o relacionamento. Apesar de tudo, segundo minha avó, conforme contaram a ela, jamais existira um caso de amor tão forte e incondicional dentro de nossa família, algo inexplicável, uma paixão cinematográfica, uma "saudável" obsessão. Um sentimento forte e acolhedor, que alimentava o coração de sua tia, até o momento em que fora cruelmente proibido.
Os dois se apaixonaram perdidamente em questão de semanas, mas Roberto teve que ir para o Rio de Janeiro por um motivo esquecido com o passar do tempo, largado junto às cinzas do infeliz romance. Talvez o motivo de sua ida tenha sido a desaprovação por parte da família de minha tia-bisavó, a pressão contrária era muito grande. Ambos lutaram por esse amor durante um certo tempo, até o momento em que o drama tornara-se algo irracional e decidiram render-se às vontades das famílias.
Luiza passou o resto de sua vida apoiada em lembranças, vivendo seus dias rotineiros, estando sem rumo, engolindo durante o dia-a-dia a amargura do desamor que provara ao ser deixada. Não se tornara uma mulher amarga, muito pelo contrário, continuou sendo doce a amável com as sobrinhas, que eram as parentes mais próximas do sentimento maternal que tentava apagar. Após um longo tempo, Maria Luiza, ainda sem esquecê-lo, ficou sabendo que ele havia se casado, e que sua mulher havia morrido durante o primeiro parto. Logo depois, chegou a notícia de que após a morte de sua mulher, Roberto havia cometido suicídio.
Remoendo-se em seu sofrimento, Luiza decidiu deixar o orgulho de lado e dedicar-se ao que havia restado do maior e único amor que um dia tivera, já sem a intervenção de sua família. Com profunda dedicação e respeito, organizou uma série de missas com cantos gregorianos em sua homenagem, e não mais se apaixonou, nem ao menos se casou. Dedicou-se o resto de sua vida às crianças da família, que por crueldade do destino, não eram seus filhos.

Por volta de seus quarenta anos, em uma noite em que minha avó, ainda criança, passava férias em sua casa, Maria Luiza sofreu um derrame e faleceu. Antes de ser tirada o último vestígio de vitalidade e os últimos sentimentos dóceis de seu coração, ouviu-se um barulho, definido como o 'ronco da morte' por minha avó, que com apenas cinco anos, correu para avisar seus pais. Quando o casal entrou no quarto, já era tarde.
Fora o segundo contato que minha avó, Myrian, tivera com a morte. Algo traumatizante, uma vez que, de todas suas sobrinhas, era certamente a mais apegada com a irmã de seu pai.
Pode-se dizer que o trauma da perda foi superado, mas as lembranças de cada detalhe de sua história foram guardadas até hoje. Tanto que posso escrevê-las, usando-as como fonte.
Talvez Roberto nem soubesse da paixão que continuou sendo cultivada ano após ano por Maria Luiza. Ressalto então a melhor definição poética das histórias de amor, feita por Vinícius de Moraes: "... E todo grande amor só é bem grande se for triste!"

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"Como um brilhante que partindo a luz
Explode em sete cores
Revelando então os sete mil amores
Que eu guardei somente pra te dar Luiza"
Luiza - Tom Jobim.