José Ferreira da Paixão era avô paterno de minha avó (pai de seu pai, Luiz Guerra), e filho de um professor do Colégio D. Pedro I (Se não me engano) em Petrópolis. (Infelizmente não consegui pesquisar tão a fundo a pónto de encontrar seu nome, sei apenas que o pai de José Ferreira era de uma família muito rica e conhecida na cidade.)
Em uma época em que pouquíssimas pessoas completavam o ensino superior, meu trisavô, José Ferreira, concluiu o curso de direito, tornando-se assim juiz de direito, e orgulho de seus pais.
Ao conhecer a mineira Etelvina Alves Guerra, decidiu abandonar a vida que tinha em Petrópolis e mudar-se para Minas Gerais. Estava decidido a passar o resto de sua vida com a amada. E foi exatamente isso que aconteceu. Deixou a família, a fortuna, o reconhecimento, e foi viver em uma cidade pequena no interior de Minas. Seguiu a carreira judiciária exercendo o cargo de juiz de direito em várias cidadezinhas como Grão Mogol, Manhuassu, Diamantina e Três Corações.
Arranjou uma carta de apresentação como juiz para o sul de Minas, assinada pelo próprio jurista e diplomata Ruy Barbosa (que inclusive faleceu na cidade de Petrópolis). Uma cópia da carta estava com minha mãe até tempos atrás, e a original foi levada para a Faculdade de Letras que minha mãe cursava para ser restaurada, mas infelizmente nunca mais a encontramos.
Apesar do pouco contato afetuoso que minha avó Myrian fora privada de manter com os avós, por viver conforme limitavam os costumes e valores de seu pai, ainda lembra-se perfeitamente da figura de seu avô José Ferreira e de seu gênio sério e imponente. Ao contrário de seu avô italiano Menotti, José Ferreira era sério e introvertido, contava poucas histórias, dentre elas está um dos "causos" mais assustadores de minha família (principalmente pelo fato de ter sido contado por essa figura quieta e objetiva, que jamais inventara qualquer brincadeira durante toda sua vida. Leia a história na próxima postagem!
Etelvina Alves Guerra, a "avó mineira de minha avó Myrian" fora uma mãe muito severa com os filhos, chegando a aplicar surras até mesmo com vara de marmelo, segundo minha bisavó Zina (sua filha). Ao contrário de seu perfil marcado de mãe-exigente, Etelvina tornou-se uma avó calma, tranquila, mansa...
Minha avó Myrian conta que morou durante um tempo com essa avó e que inclusive literalmente nascera na cama de Etelvina! O parto foi realizado ali mesmo!
Como tinha a situação financeira muito melhor do que a avó italiana Esther, Etelvina não se ocupava com os afazeres domésticos, tinha uma empregada que trabalhava até mesmo aos domingos limpando a casa e cozinhando; então ocupava seu tempo fazendo crochês e outros hobbies.
Extremamente religiosa, também fazia parte de uma Congregação de Senhoras Católicas. Ao enviuvar passou a morar na casa de meu bisavô Luiz Guerra Paixão, onde relatava "causos" de sua vida à neta Myrian, assim como a mesma tem feito comigo.
(Foto: José Ferreira da Paixão e Etelvina Alves Guerra.)
3 amigos comentaram:
Sem dúvida essas histórias de família são interessantes! gosto muito! E que carta famosa aquela.Pena que não a encontraram mais,heim? Um beijo,chica
bellas fotos
Olha, mais uma vez parabéns pelo trabalho que vem desenvolvendo aqui! Uma verdadeiro trabalho de História!
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