03/02/2009

Maria Galinha

Gafe. Palavra conhecida por todos e realizada por muitos. Geralmente quem fala bastante e adora "contar papo" vive caindo no constrangimento. Pobre do meu bisavô, que era uma pessoa extremamente calada e passou por uma situação um tanto quanto desagradável.
Meu bisavô Cyro, pai de meu avô Fausto, era provavelmente, de sua família o mais quieto. Pouco falava, assim como meu avô. Passava horas ouvindo os comentários e observando sem dizer uma palavra.

Em uma tarde, certamente na década de 50, estava reunido um grupo de homens de todas as idades em frente ao barbeiro da cidade... na praça central... ou algo assim. Como de costume, os amigos se reuniam para comentar sobre esportes, política e, principalmente, das moças que por lá passavam desacompanhadas. Minha avó inclusive conta que a rua do barbeiro, onde haviam alguns bares, era um ponto quase proibido para as moças jovens e solteiras; ela morria de medo de passar por lá, já que todos os dias formavam-se grupos masculinos de discussão. Enfim. Estavam os homens falando sobre a reputação de certas moças da cidade e aleatoriamente cada um contava um caso. Surgiu então o assunto de casamento e os homens começaram a radicalizar, afirmando que moças de má reputação não deveriam casar-se, para aprenderem a respeitar a família e a si próprias. Outros diziam que as moças mais "fogosas" também estavam se casando, e havia se tornado algo extremamente comum os rapazes trocarem 'moças de família' pelas conhecidas atualmente como "piriguetes". Conversa vai, conversa vem... meu bisavô decidiu opinar, em um raro momento de participação. Virou-se para os amigos e comentou algo como: "Pois hoje é a coisa mais comum! Até mesmo a 'Maria Galinha' casou! Lembram-se dela?". De imediato um dos homens do grupo levantou-se e respondeu-lhe atravessadamente: "Pois é! Casou-se comigo!".

Enfim meus queridos amigos-blogueiros, seja você quieto ou frenético, queira ou não, é quase impossível escapar dos pequenos detalhes/deslizes que entram para a história e passam de geração em geração.

3 comentários:

Chica disse...

Mesmo sem querer, elas escapam e acontecem e então, o que resta é agentar a reação e as caras dos outros...Um beijo,tudo de bom,chica

Marcos Pedro disse...

Adorei seu blog... Queria saber histórias da minha família como vc sabe da sua.

Parabéns

DANY Z... disse...

Oi Malu,

Lendo vc e rindo rsrs (mais uma vez)

Sabe, sou do tipo que não fala muito, mas como vc disse, falando pouco ou muito, vez ou outra, a gente solta alguma "besterinha" rsrs

Um grande beijo para vc...

Bjs

Dany