02/02/2009

O testamento

Bem... contarei agora a história que fiquei devendo na postagem anterior.

Meu trisavô, José Ferreira da Paixão, (juiz de direito - para quem não leu a postagem anterior!) contava que, na época em que as viagens ainda eram feitas a cavalo, as casas ficavam em longas distâncias umas das outras (como se fossem fazendas ou chalés), pouco antes de ir se deitar, quase de madrugada, um homem bateu em sua porta. Sem muitas opções, decidiu abrir.

O homem parecia atormentado e José mal podia vê-lo na escuridão da noite, mesmo porque segurava apenas uma vela em sua mão, e não havia motivo para se aproximarem. Insistiu durante um longo tempo para que o juiz fizesse seu testamento naquela mesma hora, que o viajante havia vindo de longe somente para isso e não poderia voltar outro dia.

José Ferreira tentou explicar que era tarde, pediu que o viajante dormisse aquela noite em um dos chalés que na manhã seguinte, logo cedo, faria seu testamento para que ele pudesse seguir viagem; mas o homem insistiu, queria que fosse naquele mesmo momento e dizia com convicção que não poderia ser mais tarde. Como único juiz da região, teve que resolver o problema do tal viajante misterioso, sozinho.

Fez o tão esperado testamento e o homem finalmente partiu.
Algum tempo depois, ao conversar com alguns colegas, meu trisavô acabou por descobrir que aquele mesmo homem que havia batido em sua porta naquela noite insistindo para que fizesse imediatamente seu testamento, havia morrido dias antes da visita que fizera à sua casa. Relato intrigante, tratando-se da respeitosa seriedade de José Ferreira da Paixão.


Um comentário:

Chica disse...

Nooooossa! Caso arrepiante mesmo!Mas essas coisas podem acontecer!Muito legal lembrar esses "causos"...um beijo e tudo de bom,chica