21/09/2011

Maternidades Incomuns

Reuni nessa postagens três casos de maternidades e causos incomuns que ocorreram durante partos. Porque dar a vida também inclui medo, risos, aflição e muita (muita mesmo!) história pra contar!

Obstetra Carniceiro
Contextualizem: década de 70, apenas uma maternidade na lendária Taubaté, estando a mesma em precárias condições. Após uma gravidez tranquila enfim havia chegado o tão esperado dia de uma de minhas tias-avós gêmeas, Martha Paixão, dar à luz a menina Paula. A família toda, irmãos, pais e marido, esperavam do lado de fora da sala de parto. Para a surpresa de todos, um funcionário do hospital passou com um serrote nas mãos entrando assim na sala em que Martha estava. Após um bom tempo de apreensão, foi explicado à família que a mesa de madeira onde ela estava dando à luz havia quebrado uma das pernas. E você aí com medo do dentista hein?

Papo de Elevador
Esse "causo" eu não chamaria nem mesmo de 'das antigas'. Aconteceu no nascimento de minha priminha Maitê, que tem hoje 11 anos e, apesar de não ter presenciado a cena, lembro-me bem dos risos provocados na família toda naquele mesmo dia. Meus avós foram visitar a filha Marianne que havia acabado de dar à luz, e meu avô Fausto, ao entrar no elevador, encontrou um conhecido. Elevador lotado, aquele clima de "será que vai chover?", quando o conhecido pergunta:
- E aí Fausto, tá aqui no hospital, tá com alguém doente na família?
- Não, não. - explica meu avô - Viemos visitar minha netinha na maternidade. É a cara do avô!
E após uma breve pausa o conhecido brincalhão aproveitou a oportunidade e completou:
- Não tem problema, tendo saúde ta bom!
E aquele clima de constrangimento logo foi quebrado por inúmeras risadas, inclusive as de meu avô.

Bercinho Maldito
O terceiro "causo" é um relato breve da aflição que minha avó Myrian passou durante o tempo que esteve no hospital após o parto de minha mãe. No período da tarde, uma movimentação nos corredores começou a deixar minha avó aflita. Ela escutava uma voz de mulher dizendo algo como "Estão matando o meu bebê!!!", mas não podia sair da cama para ver o que realmente estava ocorrendo. Mais tarde, naquele mesmo dia, ela teve a informação de que um dos bebês da maternidade havia escorregado no bercinho de uma maneira que sua cabeça havia ficado presa entre dois pedaços de madeira da grade. Ficou tão bem encaixada que tiveram que serrar uma das grades do tal bercinho. Causo comum para quem lê e clássico para quem presenciou.

20/05/2011

Bodas de Ouro: Fausto e Myrian


Há exatamente 50 anos acontecia o casamento que deu origem a todas as histórias que hoje tenho o prazer de repassar às pessoas que amo.
Confesso que não sei exatamente como começar a falar sobre o orgulho que sinto ao ver quem meus avós foram um dos poucos casais que em meio século de convivência, tiveram pouquíssimos momentos de desentendimento.


Carrego comigo muitas lembranças de muitos momentos que passei com essas pessoas admiráveis, que hoje completam exatamente 50 anos de casamento e que, devo dizer, durante a infância foram como verdadeiros pais para mim. O pouco que sei, na teoria, sobre relacionamento, posso dizer que tirei da convivência com esse casal modelo, que tem como base três importantes pontos a ressaltar sobre "o que é conviver BEM"... confiança, respeito e admiração.




Confundo-me toda nas palavras quando vou falar deles. Não é a primeira vez. É difícil controlar um turbilhão de emoções diante de história tão linda. Mil coisas me vêm à cabeça, mil imagens, mil situações, mas só posso dizer que, nenhum discurso no mundo substitui a cena que sempre levarei guardada comigo das duas pessoas mais lindas e unidas que já conheci, dançando pelo salão, como se estivessem nos anos 50; independente da época em que estivéssemos. É essa a imagem que guardo de meus avós... as pessoas doces e românticas dos anos dourados que participavam de concursos de danças e caminhavam de mãos dadas em volta do coreto da praça. Ela, a jovem de 14 anos com seu primeiro e único amor, para toda vida. Ele, o rapaz trabalhador, de família pobre, que lutou para ficar eternamente ao lado de sua almejada princesinha. E assim venceram juntos.


E hoje, após 50 anos de união e resultado desse "conto de fadas" (por que não?), estou aqui para eternizar cada ensinamento incrível que traduzem os olhares dessas pessoas lindas, simples e eternas.
Amo vocês meus avós lindíssimos, eternamente! ♥

04/05/2011

Zé Baiano

Gostaria de deixar aqui registrada apenas uma apresentação breve de uma figura marcante da minha infância que, apesar de não ter o mesmo sangue, pode ser considerado da família. José Rodrigues do Monte, ou "Zé Baiano", como era conhecido pelos amigos foi uma das únicas pessoas com que tive o contato e nunca, repito: NUNCA presenciei em um momento de tensão, reflexão que fosse! Estava sempre sorrindo!
Zé Baiano e Arlete, sua esposa, frequentavam o mesmo encontro de casais da Igreja que meus avós Fausto e Myrian frequentavam. Minha avó tocava violão nas missas realizadas nos encontros e tanto o Zé Baiano quanto a Arlete trabalhavam na cozinha. Cada casal ajudava como podia, exercendo a função que sabia. Até então uma das amizades mais puras e grandiosas que já tive o prazer de presenciar ainda não havia começado.

Em um certo dia, uma amiga de minha avó foi chamá-la pois havia um homem trabalhando na cozinha que tinha muita vontade de ouví-la tocar violão, já que todos os casais faziam uma grande propaganda de sua voz rouca e seu violão intimista. Minha avó foi até lá, chegou naquela cozinha enorme e disse "Quem pediu pra eu vir aqui?"; e um rapaz humilde, tímido, com um jeito meio quietão se manifestou e foi até ela. Minha avó completou "Que música você quer que eu toque?" e ele, sem ao menos pensar, pediu: "Romaria".
E minha avó enfim começou... "O meu pai foi peão, minha mãe solidão..."
Aí nasceu a amizade entre os dois casais, que durou anos e anos, sem interesse algum.

Zé Baiano era a mais pura representação da doçura. Operário, trabalhador, sempre sorridente. Era tanta alegria que chegava a irritar. Sim, eu me irritava, talvez por ter sido uma criança com uma pitada de amarguice a mais, enfim...

Minha avó me contou que a turma deles começou em uma determinada época a deixar transparecer o veneno que todo grupo social tem, e começaram a ver com outros olhos essa grande amizade da minha avó com o Zé Baiano. Gente má ve maldade em tudo, nada de assustador até então. Minha avó chamou meu avô e a esposa dele para conversarem, os quatro, sobre o assunto e, tamanha a inocência do amigo, ele ainda demorou para entender a questão. Foi o último a perceber a maldade da situação e ainda assim não acreditou, e deu risada.

Ele justificava-se o tempo inteiro com o seguinte argumento: "Myrian, eu sei que as pessoas falam que é estranho eu ser muito seu fã, mas é que no primeiro momento em que te vi me lemrei de uma professorinha muito querida que eu tinha lá no Ceará." Mostrando uma inocência ainda maior.

Era certamente uma pessoa iluminada. Talvez iluminada demais para esse mundo. Quando eu tinha por volta de meus sete ou oito anos de idade me lembro de estar sentada na escada de madeira da casa da minha avó quando ela e minha mãe me contaram. Ele havia ficado trabalhando até um pouquinho mais tarde no dia anterior e falou ao outro funcionário que fecharia a fábrica, para que o colega fosse embora descansar. Como estava sozinho, ninguém pode ajudá-lo quando a camisa enroscou na máquina em que estava trabalhando. Devido ao tamanho da máquina e sua idade avançada não aguentou. Faleceu e ficamos sabendo naquele mesmo dia.

A notícia saiu no jornal local, apareceu na mídia impressa e foi muito comentada. Lembro-me da minha avó conseguir contar a maior parte da história para mim, pois minha mãe chorava muito. O sofrimento da minha avó era aparente, estava reprimido, mas era presente. Ela não chora. Mas poucas vezes vi minha avó numa fossa tão grande quanto naquela época. Naquele mesmo dia fui para a rede de balanço, na varanda e chorei.
Foi a primeira vez em que me dei conta de que as pessoas vão realmente embora.

Vi poucas vezes a viúva depois disso. Eles haviam participado de várias festas de aniversário minhas. Eu havia sido o xodózinho dos jantares dos encontros de casais durante todos aqueles anos. O tempo parece apagar certas lembranças...mas as gargalhadas do Zé Baiano naqueles jantares e os apertões nas bochechas que ele me dava são inesquecíveis.

24/04/2011

Buraquinhos e buraquinhos...

Acalmem-se! Os "causos" a seguir são apenas mais algumas historiazinhas bizarras sobre os buracos que desnecessariamente são preenchidos em nossas vidas. Hahaha. Vamos lá...

João-e-o-nariz-de-feijão Havia um menininho em Três corações, Minas Gerais, que começou a se queixar de muita dor no nariz, e esse estava exalando um mau-cheiro misterioso. A mãe levou-o no médico, que descobriu que o pequeno havia colocado um feijãozinho em uma das narinas, e esse estava começando a brotar e já haviam aparecido até mesmo pequenas folhinhas; como quando o plantamos em um algodão, quando crianças. Mais eficaz que o algodão.

Zumbe Que Eu Te escuto! O segundo caso passou-se em Taubaté, interior de São Paulo, cidade onde eu nasci; com um vizinho meu. A própria mãe do rapaz contou para a minha avó na época.
O menino, com 14 anos de idade, foi a um parque de diversões e, assim que chegou em casa, uma dorzinha de ouvido que havia aparecido no parque começou a piorar. A dor piorou de uma maneira que ele gritava a medida que a mãe colocava remédio.
No mesmo dia foram ao pronto socorro e descobriram que havia entrado um enorme bicho voador no seu ouvido, provavelmente, enquanto estavam em algum brinquedo alto.

A Lagoa Azul O terceiro ocorreu com o meu tio mais velho. Esse causo é curto mas a situação é, sem dúvidas, ridiculamente constrangedora. Construam a cena...
Ele, durante a adolescência foi fazer um exame de ouvido e, minha avó do lado, estranhou quando o médico começou a se surpreender e questionar: "Nossa, mas o que é essa massa azul?", e com certeza o constrangimento foi maior ainda quando ele mesmo confessou que cutucava o ouvido com caneta esferográfica quando não tinha o que fazer. Adolescentes e seus orifícios insaciáveis!...

23/04/2011

Desabamento do sobrado

Causo aterrorizante que começa numa noite chuvosa. Nada paranormal, muito pelo contrário, um fato comum. Talvez não para uma criança de 11 anos; mas algo marcante a ponto de destacar detalhes da historia.

Minha avó Myrian e sua tia Maria Luiza haviam acabado de sair do cinema em Três Corações - MG e foram caminhando pela rua junto com mais pessoas no caminho de volta. Pararam para conversar com um conhecido e mais quatro pessoas que também haviam assistido a sessão continuaram andando. De repente, ouviram um estalo muito alto no final da rua, e quando viram um sobrado enorme havia desabado. Duas pessoas conseguiram correr, mas uma moça e um rapaz não fugiram a tempo. Minha avó, com apenas 11 anos de idade viu os corpos serem retirados dos escombros, e assim descobriu que a moça estava grávida. Ela estava com um vestido azulão, de seda, com uma barriga enorme e uma fratura exposta na perna. Viu também o desespero dos outros dois, que se salvaram, chorando pelos respectivos cônjuges.

No enterro da moça que estava grávida, minha avó se recorda dos outros filhinhos dela, ainda pequenos, 2 ou 3 anos de idade, chorando, pedindo pela mãe.
Foi esse um dos primeiros contatos de minha avó, ainda muito novinha, com a morte, assim tão de perto.

Presente valioso

Meu tio Marcelo Paixão, filho de minha avó Myrian, decidiu trabalhar com música ainda muito novinho, no começo da adolescência. No auge dos anos 80, começou a "agulhar" nas melhores discotecas da região do Vale do Paraíba, como ele e seus amigos Dj's costumavam dizer. Tocava os maiores sucessos e em pouco tempo ganhou um certo reconhecimento.

Minha família frequentava o Taubaté Country Club desde 1951, e meu tio, por ser filho de casal tradicional, começou a ser chamado para tocar nas festinhas do clube. Nessa mesma época ele estava começando uma associação com um amigo, onde dividiriam despesas para financiarem discos, equipamento e divulgação. Os dois tocariam juntos em diversas boates. A parceria deu certo por um tempo, até a desistência do tal sócio, bem no momento em que as carreiras estavam começando a realmente engrenar.
O rapaz levou metade dos discos para a casa dele e parte do equipamento.
Meu tio, que não aguentava ficar mais tempo fora da ativa, foi até a casa dele para tentar negociar, mas o ex-sócio pediu uma quantia muito grande em dinheiro, incalculável, difícil de converter para nosso dinheiro atual.

Quase desistindo; sentou-se na sala de Tv da casa da minha avó, onde ainda morava. Meu bisavô Luiz, avô de Marcelo, que na época já mal enchergava mas havia acompanhado toda a história quietinho, sem pouco intervir, chamou meu tio no canto e perguntou algo como "Marcelo, quanto seu amigo quer pelo material todo?"; meu tio respondeu que era muita coisa, para deixar para lá, que a situação já estava quase esquecida; mas meu bisavô insistiu, e assim que meu tio revelou, Luiz deu um jeito de mexer em seu dinheirinho que guardava para emergências no Banco, e mais uma vez, ajudou um neto.
Me tio buscou todas as coisas na casa do rapaz e continuou tocando. É Dj até hoje.
Aqui termina mais uma história dessa pessoa GRANDE e maravilhosa que se tornara o manso e sereno ex-bancário, Luiz Guerra Paixão.


Luiz, ao lado da esposa Zina, com o genro Fausto Garcez e o neto Marcelo.

03/01/2011

Afogamento no Rio Verde

Clique nos nomes para saber um pouco mais da história de cada personagem.
O único filho de Arminda Alves, irmã da minha tataravó Etelvina, veio passar as férias na cidade de Três Corações, interior de Minas Gerais. Chamava-se Armando e era primo próximo de meu bisavô Luiz Guerra Paixão.
Em uma tarde, escondidos da minha tataravó, ambos foram dar um mergulho no Rio Verde (rio famoso de Três Corações) o que era um costume muito comum entre os meninos daquela época. Os rios eram o maior medo de qualquer mãe.
Quando meu bisavô viu que o primo estava se afogando em um redemoinho tentou ajudar, mas já era tarde. Luiz só teve tempo de ver seu primo colocando sua correntinha religiosa dentro da boca, em um ato de fé, como tentativa de proteção. Tempo depois encontraram-na em seu cadáver.
Minha avó conclui tal relato com a consideração “Calcule a situação que minha avó passou ao ter que contar tal fato para a irmã”.
Pouco antes de morrer minha tataravó Etelvina confessou à sua neta Myrian (minha avó) que Minda (como costumava chamar sua irmã) chegou a perdoá-la e até mesmo visitá-la, mas a mágoa permaneceu, a relação das duas nunca mais foi a mesma.